Mateus A. Oliveira, Universidade Federal do Pará, Brasil

Érika T. Guimarães, Universidade do Minho

Miguel Azenha, Universidade do Minho

Paulo B. Lourenço, Universidade do Minho

Bernardo N. M. Neto, Universidade Federal do Pará, Brasil

Rafael A. Maia, Universidade Federal do Pará, Brasil

Resumo

Uma parte significativa do património histórico na Península Ibérica é constituída de alvenaria estrutural, com juntas preenchidas com argamassa. Nesses sistemas estruturais, a argamassa usualmente representa uma parcela pequena/moderada do volume total da estrutura. No entanto, a argamassa é reconhecida como a principal fonte de deformações/movimentos na estrutura, o que justifica a necessidade de conhecimento aprofundado do seu comportamento. Nas argamassas antigas, a cal aérea é um dos ligantes mais antigos e recorrentes. Nessas argamassas, o endurecimento do material é gradual a partir da superfície, em correspondência com os processos de carbonação e secagem. Para essas argamassas, os processos citados

condicionam diversas propriedades do material. Para argamassas de cal aérea, o estudo da carbonatação é difundido na literatura. Porém para o fluxo de humidade, o número de estudo ainda é bastante reduzido. Durante a fabricação da argamassa, parte da água utilizada é evaporada pela reação exotérmica de hidratação. Todavia, permanece no material um alto teor de humidade. No presente trabalho, são descritos estudos realizados para compreensão dos fluxos internos de humidade em argamassas de cal aérea. Inicia-se com a caracterização dos materiais, bem como a definição da composição. Efetuou-se trabalho experimental sobre provetes armazenados em ambiente controlado, com geometrias que simulam fluxos uniaxiais e axissimétricos. Foi efetuada a monitorização da humidade interna dos provetes a várias profundidades. Os resultados indicam uma difusão acelerada, com decréscimo rápido da humidade quando comparados com valores usuais observados em materiais à base de cimento.