Maria Teresa Geraldes Freire. Laboratório Nacional de Engenharia Civil e CERIS, Portugal

António Santos Silva. Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Portugal

Maria do Rosário Veiga. Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Portugal

Resumo
A igreja do convento de S. Domingos de Benfica, em Lisboa, exibe um dos raros exemplares de estuques maneiristas da primeira metade do século XVII que sobreviveram ao terramoto de 1755.
Estudos no âmbito da História da Arte realçam a sua beleza e qualidade estética e apontam para a origem das influências por detrás da concepção do programa decorativo.
Uma intervenção recente no teto do retro-coro da igreja proporcionou a recolha de um conjunto representativo de amostras pertencentes aos diversos tipos de elementos decorativos, tendo-se procedido à sua caracterização mineralógica, química e física.


Os resultados obtidos, apresentados neste trabalho, foram comparados com um vasto conjunto de resultados de caracterização de estuques dos séculos XVIII a XX, revelando diferenças significativas entre os materiais e técnicas utilizadas na sua execução e os dos períodos subsequentes, nomeadamente o uso de argamassas de cal e mármore nas camadas de acabamento, em vez de cal e gesso, como ocorreu em Portugal a partir do séc. XVIII. A análise comparativa efetuada contribuiu, ainda, para aprofundar o modo como os materiais e as técnicas se foram adaptando à evolução das formas na arquitetura, ao longo de um período de 3 séculos.